Se está a pensar abrir um negócio em regime de franchising e assume automaticamente que só faz sentido em Lisboa ou no Porto, talvez valha a pena repensar essa ideia. Dados recentes do mercado brasileiro mostram que o franchising está a crescer com mais força fora das grandes metrópoles do que dentro delas — e esta tendência tem implicações diretas para quem procura uma oportunidade em Portugal, longe dos centros urbanos saturados.
O que está a acontecer no Brasil
De acordo com dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), em 2024 o número de unidades instaladas em cidades entre 100 e 500 mil habitantes cresceu mais de 12%, um ritmo superior ao registado nas grandes capitais. Entre as 30 cidades com melhor desempenho no setor, 14 já não são capitais, um sinal claro daquilo que os analistas brasileiros chamam de «interiorização» das redes de franchising. Curiosamente, 63% dos franchisados em cidades menores estão diretamente à frente do dia a dia do negócio, o que sugere um modelo de gestão mais próximo, mais pessoal e mais enraizado na comunidade local.
As capitais continuam a concentrar a maior fatia do faturamento nacional — 76% — mas os municípios do interior já representam 24% desse volume, uma percentagem que não para de crescer. O mais interessante é que esta expansão não se limita a cidades médias: há casos de operações franchisadas a abrir em municípios com menos de 10 mil habitantes, ao mesmo tempo que outras surgem em polos urbanos com mais de meio milhão de pessoas.
Por que razão isto interessa a quem quer abrir um franchising em Portugal
Portugal não é o Brasil, mas a lógica subjacente a este fenómeno é universal: onde há menos concorrência e menos saturação, há espaço para crescer. Fora de Lisboa e Porto, muitas cidades médias e vilas portuguesas continuam com procura por determinados serviços e bens de consumo que ainda não têm resposta adequada. Essa é precisamente a lacuna que o modelo de franchising pode preencher, aproveitando uma marca já reconhecida, um know-how testado e um apoio contínuo da marca-mãe.
Vantagens de investir fora das grandes cidades
- Custos de investimento mais baixos: rendas comerciais, custos de pessoal e despesas gerais tendem a ser significativamente inferiores fora dos grandes centros urbanos.
- Menor concorrência direta: em muitas localidades do interior ou em cidades médias, determinados segmentos ainda não têm presença de marcas estruturadas.
- Procura local insatisfeita: serviços na área da saúde, alimentação, beleza, imobiliário ou apoio domiciliário podem não estar ainda bem representados fora dos grandes centros.
- Gestão mais próxima do território: tal como acontece no Brasil, um franchisado que gere pessoalmente o negócio numa cidade mais pequena tende a criar relações mais fortes com a clientela local.
Critérios a avaliar antes de investir numa cidade mais pequena
Nem toda a cidade com crescimento populacional representa, por si só, um mercado viável — essa é uma das conclusões mais relevantes que se pode retirar da experiência brasileira. Antes de decidir onde instalar uma unidade, é importante analisar:
- O poder de compra real da população local e não apenas o número de habitantes.
- A existência (ou ausência) de concorrência direta e indireta no segmento escolhido.
- O perfil demográfico da cidade: idade média, composição familiar, hábitos de consumo.
- A acessibilidade e visibilidade do espaço comercial disponível.
- O apoio e o acompanhamento que a marca franchisadora oferece a unidades fora dos grandes centros.
Setores como restauração, serviços de apoio à terceira idade, imobiliário ou cuidados pessoais têm historicamente boa adaptação a mercados de menor dimensão, precisamente por responderem a necessidades básicas e recorrentes da população local. Vale a pena consultar o elenco dos franchisings disponíveis em Portugal para perceber quais marcas já têm unidades fora dos grandes centros e quais estão abertas a expandir para lá.
O que isto significa na prática para quem quer abrir um franchising
Para o aspirante a franchisado português, a principal lição do fenómeno brasileiro é esta: vale a pena olhar para além de Lisboa e Porto antes de descartar uma oportunidade. Cidades médias como Leiria, Viseu, Évora, Castelo Branco ou Braga — só para citar exemplos — podem oferecer condições de investimento mais acessíveis e uma procura por serviços que ainda não está totalmente satisfeita.
Antes de avançar, é essencial fazer um estudo de mercado local sério, falar com a marca franchisadora sobre o seu histórico de implementação fora dos grandes centros e perceber que tipo de apoio operacional estará disponível à distância. Redes como Meu Super, Comfort Keepers Portugal ou Habicuidados são exemplos de conceitos cujo modelo de negócio se adapta naturalmente a localidades fora dos grandes polos urbanos, respondendo a necessidades concretas da população local.
Acompanhar a evolução deste tipo de tendências internacionais, através das últimas notícias de franchising, pode ajudar a identificar padrões que, mais cedo ou mais tarde, tendem a replicar-se também no mercado português.