Se está a pensar abrir um negócio em franchising, os números divulgados pela Associação Portuguesa de Franchising (APF) merecem a sua atenção: o setor faturou 22 mil milhões de euros em 2023, um crescimento de 29,41% face ao ano anterior, e já representa 8,3% do Produto Interno Bruto português. Mais do que uma estatística isolada, este crescimento revela onde estão a surgir oportunidades reais e que tipo de investimento está a atrair mais candidatos a franchisado.
Um setor que ganha peso na economia
O franchising já não é um nicho de mercado. Com 542 marcas a operar em Portugal — mais 24 do que em 2022 — e 185.423 postos de trabalho associados, o setor consolidou-se como um motor relevante de emprego e consumo interno. A secretária-geral da APF, Cristina Matos, sublinha que este crescimento reforça o consumo interno e gera dinamismo em serviços e retalho, contribuindo para o PIB e para a posição de Portugal no panorama económico internacional, nomeadamente no turismo e no comércio.
Para quem está a avaliar o mercado, este é um sinal de maturidade: mais marcas a operar significa mais escolha, mas também mais concorrência entre conceitos que disputam os mesmos consumidores e, por vezes, as mesmas localizações.
Onde está a crescer o setor
Os serviços continuam a liderar, representando 57% do total de marcas em franchising, seguidos pelo comércio (25%) e pela restauração (18%). Dentro desta estrutura, os segmentos de restauração e fast food destacam-se com 9,62% do total de marcas, à frente do comércio especializado (8,27%) e do retalho de moda, calçado e acessórios (7,88%).
Este dado é particularmente útil para quem procura setores com procura comprovada. Conceitos de restauração rápida e casual, como Fireaway, Telepizza ou La Mafia se sienta a la mesa, ilustram bem a dinâmica deste segmento, que continua a atrair tanto consumidores como investidores. Ao mesmo tempo, a área dos serviços — que inclui desde bem-estar e saúde até apoio empresarial — mantém a liderança em número de marcas, com exemplos como Techbody ou TAB – The Alternative Board a mostrarem a diversidade de modelos disponíveis fora da restauração.
O investimento baixo ganha terreno
Um dos dados mais relevantes do relatório para quem está a entrar no setor pela primeira vez é o peso crescente das franquias de baixo investimento. As marcas que exigem até 50.000€ de investimento inicial foram as que mais cresceram em 2023, representando já 71% do setor. Cristina Matos explica que este movimento tem estimulado o acesso de pequenas e médias empresas ao franchising, diversificando e solidificando a estrutura do setor e aumentando a competitividade e a inovação nos modelos de negócio.
Esta tendência é uma boa notícia para quem dispõe de capital limitado mas quer arrancar com um modelo de negócio testado. Formatos com investimentos mais contidos, frequentemente ligados a serviços de proximidade ou pequenos comércios especializados, tornam-se assim uma porta de entrada mais acessível do que os grandes investimentos tradicionalmente associados à restauração organizada ou ao retalho de grande formato.
O que isto significa na prática para um aspirante a franchisado
Os números da APF traduzem-se em três leituras práticas para quem pondera investir em 2024-2025:
- Mais opções, mais concorrência: com 542 marcas ativas, a escolha é ampla, mas convém comparar cuidadosamente condições, taxas e suporte de cada rede antes de decidir. Consultar o elenco dos franchising disponíveis é um bom ponto de partida para perceber a oferta por setor e por nível de investimento.
- O baixo investimento não significa baixo risco: o facto de 71% das novas franquias exigirem até 50.000€ não elimina a necessidade de análise financeira e de mercado. É essencial avaliar a robustez do modelo, o histórico da marca e o apoio prestado ao franchisado, independentemente do valor de entrada.
- Os setores mais dinâmicos nem sempre são os mais fáceis: restauração e fast food lideram em número de marcas, o que indica procura, mas também elevada concorrência direta entre conceitos semelhantes. Setores como serviços especializados podem oferecer nichos com menos saturação.
Antes de avançar, vale a pena acompanhar regularmente as últimas notícias sobre o setor, para perceber tendências emergentes, novas marcas a entrar no mercado português e alterações nas condições de investimento praticadas pelas redes já estabelecidas.