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Franquias faturam mais, mas carga tributária exige atenção redobrada

Redação Start Franchising AI-Powered
Franquias faturam mais, mas carga tributária exige atenção redobrada

Se você está avaliando abrir uma franquia, um dado recente merece atenção antes de qualquer assinatura de contrato: o setor cresce em faturamento, mas a conta tributária está cada vez mais pesada e pode comer parte da margem que você projetou no papel. Entender esse contraste é essencial para montar um business plan realista e não se surpreender depois de investir seu capital.

Crescimento real, mas com um alerta embutido

De acordo com o Estudo do Franchising Brasileiro 2026, produzido pelo Ipespe a pedido da ABF e do Sebrae, o setor registrou alta de 9,7% no faturamento no primeiro semestre do ano. Do total de marcas ouvidas, 59% relataram crescimento e 24% disseram ter mantido estabilidade. Mais ainda: 85% dos franqueadores projetam expansão nos próximos 12 meses. São números que reforçam a força do modelo de franquias como alternativa de negócio no Brasil, que hoje concentra cerca de 10% de toda a movimentação mundial do franchising, com faturamento anual estimado em R$ 315 bilhões.

Apesar desse cenário favorável, a pesquisa aponta que 55% dos empresários do setor citam a carga tributária como principal motivo de preocupação. Ou seja: o negócio vende mais, mas uma fatia crescente dessa receita é direcionada a impostos, o que reduz a rentabilidade líquida esperada por quem investe.

Por que isso importa para quem pensa em investir

Para o franqueado, a diferença entre faturamento bruto e lucro líquido é o que realmente define se o investimento vale a pena. Um aumento consistente nas vendas da rede é um bom sinal, mas se a tributação sobe no mesmo ritmo — ou mais rápido —, o retorno sobre o capital investido pode demorar mais do que o previsto no plano de negócios original.

Soma-se a isso a incerteza gerada pela reforma tributária. Segundo o presidente da ABF, a dificuldade de planejar para 2027 vem justamente da indefinição sobre alíquotas futuras. Um exemplo concreto: o Tribunal de Contas da União aprovou recentemente uma alíquota de 11,1% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), percentual acima do que o mercado esperava. Mudanças como essa podem forçar reajustes de preço ao consumidor final apenas para manter a margem no mesmo patamar — não para ganhar rentabilidade adicional.

Setores mais expostos à pressão fiscal

Nem todos os segmentos sentem o peso tributário da mesma forma. Redes de alimentação, por exemplo, costumam operar com margens mais apertadas e maior sensibilidade a repasses de custo, já que o consumidor percebe rapidamente qualquer reajuste de preço no cardápio. É o caso de marcas como Griletto, Montana Grill e Divino Fogão, que dependem de volume e de preços competitivos para manter a atratividade junto ao público.

Já setores de serviços, como estética e saúde, costumam ter mais flexibilidade para ajustar ticket médio sem perder tanto volume de clientes, mas ainda assim não estão imunes ao aumento de custos operacionais. Franquias como Espaçolaser e Sorridents ilustram modelos em que o reajuste de preço precisa ser calculado com cuidado para não afastar a clientela.

Como avaliar esse risco antes de investir

Antes de fechar contrato com uma franqueadora, vale adotar alguns cuidados práticos:

  • Peça o histórico de faturamento e margem líquida da rede nos últimos anos, não apenas o faturamento bruto divulgado em materiais de venda.
  • Pergunte como a franqueadora pretende lidar com possíveis mudanças tributárias e se já existe um plano de contingência de preços.
  • Avalie o regime tributário mais adequado para a sua unidade (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real), já que isso impacta diretamente o resultado final.
  • Considere o custo do crédito na hora de captar recursos para o investimento inicial, já que juros altos encarecem o financiamento e competem com a decisão de aplicar o capital em renda fixa em vez de um negócio próprio.
  • Compare oportunidades em diferentes segmentos consultando o elenco de franquias disponíveis e observando como cada setor reage a aumentos de custo.

O que isso significa na prática para o franqueado

O crescimento do setor é uma notícia positiva, mas não deve ser lido isoladamente. Quem pretende investir precisa colocar na ponta do lápis não apenas o potencial de faturamento, mas também o impacto da carga tributária sobre a margem real do negócio. Um plano de negócios bem-feito deve prever cenários de aumento de custo fiscal e simular como isso afeta o payback do investimento. Acompanhar as últimas notícias de franquias também ajuda a antecipar mudanças regulatórias que podem impactar o setor escolhido antes mesmo de assinar o contrato de franquia.

Perguntas frequentes

A carga tributária afeta todas as franquias da mesma forma?

Não. Setores com margens mais apertadas, como alimentação, costumam sentir mais o peso dos impostos, enquanto negócios de serviço têm mais flexibilidade para ajustar preços sem perder clientes.

Como simular o impacto dos impostos antes de abrir uma franquia?

Peça à franqueadora dados reais de faturamento e margem líquida, e monte um fluxo de caixa considerando diferentes regimes tributários e cenários de aumento de alíquota.

A reforma tributária deve mudar o retorno esperado de uma franquia?

Pode mudar, já que ainda há incerteza sobre alíquotas futuras. Por isso é recomendável revisar o plano de negócios periodicamente e não considerar apenas projeções otimistas de faturamento.

Fonte: opovo.com.br

Fonte: https://www.opovo.com.br/noticias/economia/2026/10/30/franquias-aumentam-faturamento-e-projetam-crescer-mas-tributacao-preocupa.html

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