Se está a pensar investir num negócio próprio, há um dado que não pode ignorar: o franchising em Portugal já é responsável por cerca de 186 mil postos de trabalho, o equivalente a 27% do emprego total no país. Este número, divulgado pela Associação Portuguesa de Franchising relativamente a 2023, não é apenas uma estatística abstrata — é um indicador direto da robustez de um modelo de negócio que continua a criar oportunidades reais para quem quer empreender com menor risco do que começar do zero.
Mais do que o volume de faturação do setor, que também bateu recordes, é o impacto no emprego e o peso de 8,3% no Produto Interno Bruto que ajudam a perceber onde estão, de facto, as melhores oportunidades para um futuro franchisado. Perceber estes números em detalhe pode fazer a diferença entre escolher um setor em expansão ou entrar num mercado já saturado.
Serviços, comércio e restauração: onde está a força do setor
Os dados mostram uma estrutura setorial bastante clara. Os serviços lideram, representando 57% das marcas que operam em regime de franchising em Portugal. Seguem-se o comércio, com 25%, e a restauração, com 18%. Esta distribuição não é apenas uma curiosidade estatística: indica onde a procura por franchisados tem sido mais consistente e onde as redes têm maior capacidade de absorver novos investidores.
Para quem pondera áreas como saúde, bem-estar ou apoio domiciliário, por exemplo, empresas como a Comfort Keepers Portugal ou a Habicuidados ilustram bem o peso crescente dos serviços de proximidade. Já no comércio especializado e no retalho de moda, marcas como a KIABI mostram como este segmento continua a atrair investidores.
Restauração e fast food continuam a liderar em número de marcas
Dentro da restauração, o destaque vai para a restauração e fast food, que lideram com 10% do total de marcas em franchising no país. Nomes como Telepizza, Domino's Pizza ou McDonald's são exemplos de redes consolidadas, mas o crescimento também tem sido visível em conceitos mais recentes e de menor dimensão, como a Meneo – Faz-te ao Frango! ou a Bifanas de Vendas Novas, que mostram que ainda há espaço para novos players neste segmento tão dinâmico.
O que o peso no emprego diz sobre a solidez do setor
Um setor que representa 27% do emprego nacional não é um nicho marginal da economia — é uma componente estrutural do mercado de trabalho português. Este dado é particularmente relevante para quem quer avaliar a solidez de um modelo antes de investir: um setor que gera tantos postos de trabalho tende a ter redes mais maduras, processos de formação mais testados e um ecossistema de apoio mais desenvolvido para novos franchisados.
A secretária-geral da Associação Portuguesa de Franchising, Cristina Matos, sublinha que o crescimento da faturação e a criação de emprego reforçam o consumo interno, gerando dinamismo em setores como os serviços e o retalho — precisamente os que mais contribuem para o número de marcas em operação no país, que atingiu as 542 em 2023.
Franquias de baixo investimento: a porta de entrada mais acessível
Um dos dados mais relevantes para aspirantes a franchisado é o facto de as franquias com investimentos até 50.000€ terem sido as que mais cresceram, representando 71% do setor. Isto significa que a barreira de entrada no franchising português está, na prática, a tornar-se mais acessível a pequenas e médias empresas e a investidores individuais com capital mais limitado.
Setores como cafetarias e gelatarias, estética, saúde e bem-estar, ou mediação imobiliária — onde operam marcas como ERA Portugal, Chave Nova ou Keller Williams — surgem como exemplos de áreas com forte representatividade e onde o investimento inicial pode ser mais ajustado ao perfil de quem está a dar os primeiros passos no empreendedorismo.
O que significa isto para quem quer abrir um franchising
Para quem está a avaliar entrar neste mercado, estes números macro devem funcionar como um ponto de partida, não como garantia de sucesso. Antes de escolher uma marca, vale a pena:
- Analisar se o setor escolhido está entre os que mais crescem — serviços, restauração e comércio especializado continuam a liderar em número de marcas e oportunidades;
- Considerar o investimento inicial disponível, sabendo que a maioria das franquias em crescimento exige até 50.000€;
- Avaliar a maturidade da rede, pedindo dados concretos sobre o número de unidades, formação e apoio ao franchisado;
- Comparar diferentes conceitos e setores antes de decidir, consultando o elenco dos franchising disponíveis em Portugal.
Acompanhar a evolução destes indicadores é também uma forma de perceber tendências antes de investir. Por isso, manter-se atento às últimas notícias do setor pode ajudar a identificar, com antecedência, as áreas com maior potencial de crescimento nos próximos anos.